O empresário Rogério Luís Ribeiro, alvo da Operação Cartas Marcadas, deflagrada pelo Gaeco/MPMS nesta terça-feira (10), é proprietário de duas empresas que mantiveram contratos com a Prefeitura de Terenos. Uma delas foi responsável pela reforma do gabinete do prefeito afastado, Henrique Budke (PSDB).
Durante o cumprimento dos mandados, Rogério se apresentou espontaneamente aos agentes, mas optou por não comentar a operação com a imprensa.
O empresário é sócio das empresas Marsoft Informática, Construções e Serviços e RS Construções e Serviços. Os contratos firmados por essas empresas, que somam R$ 5.554.510,35, foram suspensos pelo prefeito interino, Arlindo Landolfi (Republicanos).
A empresa Marsoft prestou serviços tanto na área de engenharia quanto de internet. Em abril de 2022, foi contratada para a reforma do prédio da prefeitura, dividida em quatro lotes.
O lote 1 previa a reforma do bloco da sala do prefeito, com valor de R$ 10.052,63. Os demais lotes incluíram a reforma de salas, blocos e telhado. O custo total da obra foi de R$ 316.539,31.
Já em agosto de 2023, a mesma empresa foi contratada para fornecer serviço de internet às escolas da zona rural, por R$ 56.760. Após a suspensão do contrato, o município precisou realizar uma contratação emergencial para manter o serviço.
A RS Construções e Serviços também venceu licitações da Prefeitura de Terenos em anos anteriores. Em abril de 2023, firmou contrato no valor de R$ 2.963.510,08 para a construção da Escola Municipal de Artes, incluindo ainda a reforma de uma praça. Com aditivos contratuais, o valor final chegou a R$ 3.240.727,02.
Operação Cartas Marcadas
A Operação Cartas Marcadas investiga um esquema de corrupção e fraudes em licitações públicas em Terenos e outros municípios do Estado. A ação resultou no cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares, como proibição de contratar com o poder público, afastamento de cargos e suspensão de contratos vigentes.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, liderada por agentes políticos, com atuação em diversos municípios. Servidores públicos teriam sido corrompidos para frustrar o caráter competitivo das licitações, direcionando contratos para empresas previamente escolhidas.
Segundo o Ministério Público, somente nos últimos três anos, os contratos sob suspeita se aproximam de R$ 9 milhões.
A operação teve apoio da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do Batalhão de Choque e do Bope. O nome “Cartas Marcadas” faz referência à prática de jogos manipulados, simbolizando licitações com resultados definidos antes mesmo da disputa.

