Equipe da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) que estava detida na aldeia Água Branca, no distrito de Taunay, em Aquidauana, nesta quinta-feira (05), foi liberada após acordo entre a liderança e o coordenador do DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), Lindomar Terena. O ato de protesto era contra a negligência do Governo Federal em relação à reforma da Unidade de Saúde da comunidade.
Segundo informações apuradas pelo JNE, os indígenas decidiram reter os servidores como forma de pressionar por uma resposta imediata da SESAI e do coordenador do DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), Lindomar Terena, que também é indígena e responsável pela gestão dos recursos destinados aos polos-base de atendimento nas aldeias.
O coordenador então se deslocou para a terra indígena, junto com um engenheiro, momento em que o clima ficou tenso, já que informou que não havia prazo para o início das obras, pois segundo Lindomar, não há recursos. A liderança da aldeia não concordou e determinou que a equipe que já estava retida lá, junto com o coordenador, iriam permanecer na aldeia, até a solução do caso.
Lindomar então fez contato com a Secretaria em Brasília, sendo garantido que em 40 dias dará uma resposta sobre a disponibilização do recurso para a construção do novo posto. Então foi redigido um documento materializando o compromisso sobre o prazo e a equipe foi liberada.
De acordo com lideranças locais, esta é a terceira vez que uma equipe técnica é enviada apenas para avaliar as condições da unidade, sem que qualquer intervenção concreta seja feita. “Estamos cansados de visitas e promessas. A estrutura do posto está caindo aos pedaços, faltam materiais básicos e o atendimento é indigno. Não vamos liberar ninguém até termos um posicionamento oficial”, declarou uma das lideranças da aldeia.
Promessas não cumpridas pelo Governo Lula
A insatisfação também recai sobre as promessas feitas durante a campanha presidencial e nos primeiros meses do Governo Lula. A criação do Ministério dos Povos Indígenas e o fortalecimento da saúde indígena foram anunciados como compromissos centrais da gestão, mas, na prática, diversas comunidades seguem abandonadas. Em Mato Grosso do Sul, a realidade é crítica: faltam profissionais de saúde, medicamentos, transporte e infraestrutura nas aldeias.
Em 2023, durante visita a territórios indígenas no Amazonas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os povos originários “nunca mais seriam tratados com descaso”, prometendo investimentos robustos na reestruturação da saúde indígena. Contudo, a situação em regiões como Taunay, Amambai e Dourados mostra que as ações não saíram do papel.
Além da promessa de ampliar a rede de atendimento, foi anunciada a criação de unidades móveis de saúde e reformas estruturais nos polos existentes — o que, até o momento, não se concretizou em diversas localidades do Pantanal e do Cone-Sul de Mato Grosso do Sul.
Protestos semelhantes em MS
O caso de Taunay não é isolado. Em maio de 2023, indígenas Guarani-Kaiowá bloquearam a BR-163 na região de Dourados em protesto contra a precariedade da saúde e a ausência de medicamentos nas unidades. No mesmo ano, em Amambai, representantes das aldeias realizaram manifestação em frente à sede do DSEI cobrando a nomeação de médicos, entrega de ambulâncias e abastecimento de remédios.
A retenção da equipe da SESAI em Água Branca, ainda que pacífica, reflete um quadro de exaustão e cobrança por dignidade. Até o momento, a equipe continua na aldeia, aguardando resposta da coordenação da Secretaria.


