Chuva acumulada chegou a 150 milímetros próximo à cabeceira e fez o rio recuperar o fluxo na região da Ponte do Curé, em Jardim
Após ficar sem fluxo em um trecho de aproximadamente cinco quilômetros, o Rio da Prata voltou a correr normalmente na região da Ponte do Curé, em Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande. A recuperação ocorreu após as chuvas registradas desde domingo (4), que elevaram significativamente o volume de água na região.
De acordo com informações do Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim (IGMA), foram registrados cerca de 90 milímetros de chuva no trecho que havia secado. Na área urbana de Jardim, o acumulado chegou a 100 milímetros, enquanto nas proximidades da cabeceira do Rio da Prata a chuva alcançou 150 milímetros.
A nascente do rio está localizada aproximadamente 30 quilômetros acima da Ponte do Curé, dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena.
Segundo o presidente do IGMA, Nisroque da Silva Soares, a chuva atingiu de forma abrangente toda a região. Na foz, o nível do Rio da Prata chegou a ficar cerca de dois metros acima do nível considerado regular. Já no trecho que havia perdido o fluxo, a água ultrapassou um metro de profundidade.
Rio chegou a ficar cinco quilômetros sem fluxo
A situação atual contrasta com o cenário registrado no fim de setembro, quando aproximadamente cinco quilômetros do Rio da Prata estavam secos.
Na época, os cerca de 60 milímetros de chuva acumulados ainda não haviam sido suficientes para recuperar o fluxo. Durante uma vistoria realizada no dia 26 de setembro, pontos que poucos dias antes ainda apresentavam água entre as pedras já estavam completamente secos.
A interrupção do fluxo havia começado em agosto e chegou a exigir o resgate de aproximadamente 200 peixes, que ficaram presos em poças isoladas ao longo do trecho afetado.
Este é o terceiro ano consecutivo em que o problema é registrado na região da Ponte do Curé.
Problema é acompanhado pelo Ministério Público
A repetição dos episódios vem sendo acompanhada desde 2024 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Entre os fatores analisados estão a estiagem prolongada e a possível influência de drenos existentes nas cabeceiras do rio.
Até o momento, no entanto, não foi estabelecida uma causa única para a interrupção do fluxo.
A previsão indica mais chuva na região ao longo desta semana, o que pode contribuir para a manutenção do nível do Rio da Prata. Apesar da elevação registrada após as últimas precipitações, o presidente do IGMA afirma que não há risco de transbordamento neste momento.

