O atropelamento de uma anta na MS-345, a “Estrada do 21”, reacendeu o debate sobre a segurança nas rodovias de Mato Grosso do Sul. O animal foi encontrado morto às margens da pista que dá acesso a Bonito, um dos principais polos de ecoturismo do país. O incidente, registrado por moradores, expõe um problema crônico: segundo a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ), estima-se que ao menos 100 antas sejam atropeladas por ano no estado, número que pode ser ainda subestimado.
A bióloga Patrícia Medici alerta que, devido ao grande porte do animal — que pode pesar até 300 kg —, as colisões são extremamente graves e frequentemente fatais para os ocupantes dos veículos. Entre 2013 e 2020, o monitoramento identificou 700 carcaças de antas e registrou a morte de 48 pessoas em acidentes envolvendo a espécie. Além do risco humano, a perda desses animais, conhecidos como “jardineiras da floresta”, causa um impacto ecológico severo na regeneração dos ecossistemas. Especialistas cobram que órgãos gestores implementem medidas de mitigação e segurança viária já propostas em estudos técnicos.

