As Câmaras Municipais de Mato Grosso do Sul, que têm como principal função fiscalizar o uso do dinheiro público e defender os interesses da população, passaram a ser questionadas pelo alto volume de recursos gastos com diárias nos últimos anos. Levantamento do Jornal Midiamax revela que, somente em 2025, sete Casas de Leis consumiram mais de R$ 11,6 milhões com viagens de vereadores e servidores, levantando dúvidas sobre prioridades e responsabilidade com os cofres públicos.
Os dados mostram que, em vez de fortalecer o papel fiscalizador e investir em ações que beneficiem diretamente a população, algumas Câmaras ampliaram significativamente despesas que, na prática, acabam funcionando como regalias aos parlamentares. Em quatro municípios, o aumento nos gastos entre 2024 e 2025 ultrapassou meio milhão de reais.
As diárias são destinadas a custear passagens, hospedagem e alimentação durante viagens oficiais, geralmente para participação em cursos, eventos partidários ou visitas a gabinetes em Campo Grande e Brasília. No entanto, o volume crescente dessas despesas tem gerado críticas, especialmente em um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas por muitos municípios.
A campeã em gastos foi a Câmara de Chapadão do Sul, que desembolsou quase R$ 2,5 milhões em 2025, contra R$ 1,74 milhão no ano anterior — aumento superior a R$ 745 mil. Em seguida, aparece Maracaju, com R$ 1,92 milhão, crescimento de mais de R$ 654 mil em relação a 2024.
Também figuram entre as maiores despesas as Câmaras de Bonito (R$ 1,55 milhão), Costa Rica (R$ 1,48 milhão), Bela Vista (R$ 1,40 milhão) e Dourados (R$ 1,18 milhão). Juntas, essas sete cidades concentraram a maior parte dos gastos com diárias no Estado.
O contraste chama ainda mais atenção quando comparado a municípios que conseguiram manter controle rigoroso dessas despesas. Ribas do Rio Pardo, por exemplo, gastou apenas R$ 4,2 mil em 2025, reduzindo os valores em relação ao ano anterior. Terenos também registrou queda expressiva, passando de quase R$ 300 mil em 2024 para R$ 17,5 mil no ano passado.
Campo Grande e Tacuru completam a lista das Câmaras mais econômicas, com gastos inferiores a R$ 100 mil.
Especialistas em gestão pública e representantes da sociedade civil avaliam que os números revelam uma incoerência no papel exercido por parte do Legislativo municipal. Enquanto cobram transparência, eficiência e responsabilidade dos Executivos, alguns vereadores ampliam despesas internas que pouco retornam em benefícios concretos à população.
O levantamento, baseado em dados dos Portais da Transparência das 79 Câmaras de Vereadores do Estado, reforça a necessidade de maior fiscalização social e controle interno sobre o uso das diárias. Para muitos moradores, o questionamento é direto: em vez de priorizar viagens e benefícios individuais, as Câmaras deveriam concentrar esforços na fiscalização, na produção de leis eficazes e na defesa real do interesse público.
O debate sobre os gastos reacende a cobrança por mais ética, austeridade e compromisso com o dinheiro do contribuinte, especialmente em um momento em que áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura, seguem enfrentando limitações orçamentárias em diversos municípios.

