Um duplo homicídio com características de extrema violência mobiliza as forças de segurança pública e causa comoção na cidade de Anastácio. O crime veio à tona após vizinhos acionarem a Polícia Militar ao perceberem um forte mau cheiro vindo de uma residência localizada na Travessa Domingão, nas proximidades da região conhecida como Cancha.
Ao entrarem no imóvel, os policiais se depararam com uma cena chocante: os corpos de um casal estavam espalhados em diferentes cômodos da casa, em meio a uma grande quantidade de sangue e sinais evidentes de luta corporal. A residência apresentava marcas claras de violência, indicando que as vítimas foram atacadas de forma brutal.
As vítimas foram identificadas como Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, e Maria Clair Luzini, de 46 anos. Segundo a perícia, ambos foram mortos na mesma data, possivelmente entre a madrugada de quinta para sexta-feira, conclusão baseada no estado em que os corpos foram encontrados.
Vilson foi localizado entre a cozinha e a sala, em posição de bruços. Ele apresentava múltiplos ferimentos provocados por arma branca, sendo duas perfurações na região do tórax, uma no abdômen, uma nas costas e um corte superficial na região dorsal. A presença de lesões nas costas reforça a hipótese de que ele tenha sido surpreendido ou atacado pelas costas.
Já Maria Clair foi encontrada na cozinha, em posição de barriga para cima. Ela também apresentava diversos ferimentos causados por golpes de faca, incluindo lesões nos braços, que indicam possível tentativa de defesa, além de duas perfurações profundas no tórax, próximas ao coração, que podem ter sido determinantes para sua morte.
As primeiras análises apontam que Vilson pode ter sido a primeira vítima. Há indícios de que, ao perceber a agressão, Maria Clair tentou fugir pelos fundos da residência. Informações preliminares indicam que ela chegou a sair do imóvel, mas, por razões ainda desconhecidas, acabou retornando, momento em que foi alcançada e morta.
Um detalhe que chama a atenção dos investigadores é a condição das entradas da casa. A porta da frente estava entreaberta, enquanto a porta dos fundos encontrava-se trancada por dentro, inclusive com cadeado, o que levanta questionamentos sobre a dinâmica do crime e a possível rota de fuga do autor.
Apesar das buscas minuciosas realizadas no interior da residência e nas imediações, a arma utilizada no crime não foi localizada.
A delegada Isabelle Sentinelo, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Aquidauana e responsável pelo plantão em Anastácio durante o fim de semana, acompanhou os trabalhos no local juntamente com a equipe da Polícia Científica. De acordo com as autoridades, está descartada a hipótese de feminicídio seguido de suicídio, uma vez que os elementos periciais indicam que as duas vítimas foram assassinadas.
A área foi isolada para os trabalhos da perícia técnica, e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Odontológico Legal (IMOL) de Aquidauana, onde passarão por exames necroscópicos que devem confirmar a causa das mortes, a quantidade exata de ferimentos e outros detalhes que podem auxiliar nas investigações.
A Polícia Civil já trabalha com uma linha investigativa, porém mantém sigilo para não comprometer o andamento do caso. Equipes também realizam a coleta de depoimentos de vizinhos e buscam imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado qualquer movimentação suspeita na região no período do crime.
O caso ocorre em um fim de semana marcado pela violência no município. Em menos de 24 horas, Anastácio registrou outro homicídio por arma branca. Na noite de sexta-feira (27), um homem identificado como David Vareiro Machado foi morto a facadas no bairro Cristo Rei, após uma discussão com um vizinho.
Apesar da proximidade temporal entre os crimes, até o momento não há indícios de ligação entre os casos, que seguem sendo investigados de forma independente pelas autoridades policiais. A sequência de ocorrências acende um alerta para as forças de segurança e reforça a preocupação da população diante da escalada de violência registrada na região.

