Centro-Oeste é modelo para garantir abastecimento mundial de alimentos, aponta evento

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Deodápolis, no Mato Grosso do Sul, recebeu o quarto Seminário Expedição Safra 2016/17, na quarta-feira (1º). O evento foi realizado em parceria com a cooperativa Copasul, que tem sede em Naviraí (MS). A uma plateia de mais de 130 pessoas, o coordenador do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, Giovani Ferreira, disse que o Brasil vai ser o celeiro do mundo e citou o estado do Centro-Oeste como modelo que vai ajudar o país a produzir mais. Ao longo da apresentação, cujo tema foi “Safra cheia desafia mercado e retomada da produção no Brasil”, ele falou do sistema de Integração Lavoura-Pecuária. Atualmente, Mato Grosso do Sul tem oito bois para cada habitante. As áreas de pastagem ocupam 16 milhões de hectares, e mais da metade está degradada ou em fase de degradação, com cupim, pasto ruim e erosão.

Em cinco anos, porém, é possível recuperar 1 milhão de hectares com o sistema, salientou Ferreira. Além de recuperar o solo, a Integração Lavoura-Pecuária permite ao produtor explorar economicamente a área durante o ano inteiro, seja com grãos, carne ou leite.

“Além de aumentar a qualidade da pastagem, o sistema de integração garante diversificação de renda para o produtor. Não estou afirmando que toda a área será ocupada com soja e milho, mas elas podem ser usadas para outras culturas produtivas”, explicou.

Ao longo da palestra, Giovani Ferreira disse que o Brasil é um dos poucos países do mundo com área suficiente para expandir a produção sem a necessidade de desmatar. “Dos 850 milhões de hectares disponíveis, 61% é de mata nativa. A pecuária ocupa 172 milhões, o agronegócio apenas 8,7% do total”, afirmou.

O coordenador do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo ressaltou que em 2050, o mundo terá 9 bilhões de habitantes, e apenas 1,8 hectare produtivo para cada um. “O único lugar com área disponível é o Brasil, por isso precisamos de eficiência, planejamento e tecnologia. Precisamos aproveitar e explorar nossa vocação natural, que é a agricultura”.

Segundo o palestrante, em momentos de crise, é o campo que sustenta a economia. “Parte do futuro do Mato Grosso do Sul e do Brasil passa pelo agronegócio. Apenas aqui no estado, essa nova área de 1 milhão de hectares poderia produzir 1,5 milhão de toneladas de soja e 1,3 milhão de milho”, estimou.

Mercado

O consultor de gerenciamento de risco da INTL FCStone, Jorge Gracioli, apresentou um panorama internacional do mercado de soja e milho. Atualmente, os estoques globais das duas commodities estão elevados. Para Gracioli, isso indica que os preços não vão subir como no ano anterior. “Quem quiser ter uma estimava de preços precisa ficar de olho nos estoques dos Estados Unidos. Como é o maior produtor mundial de grãos, costuma ser a maior referência. Se os estoques estão elevados, os preços costumam ser mais baixos”, esclareceu.

De acordo com o consultor, o produtor brasileiro terá de exercitar a paciência e ser inteligente. “Muitos querem ouvir apenas notícias boas, mas não é realidade do mercado. É melhor ter a certeza de melhores resultados do que ser frustrado. Será necessário ter disciplina e não perder o foco para fechar os melhores negócios. Acompanhar as informações e buscar sempre rentabilidade, embora o lucro seja menor”.

Um exemplo usado pelo consultor foi o milho. “O ano passado, quando a saca atingiu preços altos foi atípico. O milho sempre esteve com um terço do preço da soja. E nós notamos que valores estão voltando para o patamar normal. E neste ano é muito provável que essa seja a realidade”, conta. “Às vezes, é melhor focar nas margens do que no preço”.