Mato Grosso do Sul ocupa, em 2026, a 3ª posição no ranking nacional de feminicídios, segundo dados de monitoramento da violência contra a mulher. O cenário reforça o alerta sobre a gravidade desse tipo de crime e evidencia a importância da atuação rápida das forças de segurança e do sistema de Justiça no enfrentamento à violência de gênero.
Nesse contexto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Anastácio e da Seção de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Aquidauana, esclareceu a morte de Leise Aparecida Cruz, de 41 anos, encontrada sem vida dentro de uma residência localizada em Anastácio.
A ocorrência chegou ao conhecimento das autoridades após a comunicação de que uma mulher havia sido encontrada em óbito no interior da residência. Policiais civis deslocaram-se imediatamente ao local, acompanhados pela equipe de perícia, onde constataram que a área já havia sido preservada pelo Corpo de Bombeiros, iniciando as primeiras diligências investigativas.
Inicialmente, o companheiro da vítima, Edson Campos Delgado, de 43 anos, relatou às autoridades que teria encontrado a esposa sem vida ao retornar para casa durante a noite, levantando a hipótese de suicídio. Segundo o relato inicial, ele teria saído para trabalhar por volta das 7h da manhã, retornado por volta das 13h para levar o almoço e voltado novamente ao trabalho. Já à noite, por volta das 22h30, afirmou ter encontrado a residência escura e, após entrar por uma porta lateral com vidro quebrado, localizou a esposa deitada de bruços na cama, sem sinais de reação. O Corpo de Bombeiros foi acionado e confirmou o óbito.
Durante o depoimento, o suspeito também afirmou que a esposa sofria de depressão, fazia uso de medicação controlada e já teria tentado suicídio anteriormente. Ele mencionou ainda que Leise reclamava de dores no estômago após utilizar Mounjaro, medicamento utilizado para perda de peso e adquirido no Paraguai.
No entanto, informações preliminares do exame necroscópico e novos levantamentos realizados pelos investigadores passaram a indicar a possibilidade de morte violenta. Diante disso, as equipes da Polícia Civil de Anastácio e da SIG de Aquidauana aprofundaram as investigações, realizando entrevistas, coleta de informações e análise de elementos obtidos durante as diligências.
Durante o andamento da investigação, os policiais identificaram contradições no depoimento do companheiro da vítima. Confrontado com as evidências reunidas, ele acabou confessando que matou a esposa por asfixia durante uma discussão ocorrida na manhã do dia dos fatos, relatando que a segurou pelo pescoço e a empurrou contra a parede, provocando sua morte.
Com base na confissão e nos elementos reunidos durante as investigações, os policiais deram voz de prisão ao suspeito, que foi conduzido à unidade policial e permanece à disposição da Justiça. Exames periciais complementares foram solicitados para esclarecer completamente as circunstâncias do crime.
Este é o sexto caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026, reforçando o alerta sobre a violência doméstica no Estado.
A atuação integrada e célere das equipes da Polícia Civil de Anastácio e da 1ª Delegacia de Aquidauana foi fundamental para o rápido esclarecimento do caso, demonstrando o comprometimento das forças de segurança no combate à violência contra a mulher.
No âmbito judicial, a comarca de Anastácio possui um diferencial na condução desses casos. O juiz Luciano Pedro Beladeli é reconhecido pela celeridade na tramitação de processos relacionados à violência doméstica e feminicídio, priorizando medidas protetivas e garantindo maior rapidez no andamento das ações judiciais envolvendo vítimas de violência de gênero.
Diante do cenário preocupante no Estado, autoridades reforçam que a denúncia, o acompanhamento rigoroso dos casos e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres são fundamentais para interromper ciclos de violência e prevenir novos feminicídios.

