O cenário econômico em Mato Grosso do Sul acendeu um sinal de alerta com o fechamento de dois frigoríficos no intervalo de poucos dias. Após o anúncio da paralisação das atividades da unidade Balbinos Agroindustrial, em Sidrolândia, agora foi a vez do BMG Foods, localizado em Nioaque, encerrar suas operações nesta terça-feira (4).
Segundo a empresa, o fechamento faz parte de um processo de reorganização e otimização das operações do grupo, que mantém unidades em 14 estados brasileiros. De acordo com o comunicado oficial, a decisão foi tomada com base em critérios de eficiência e sustentabilidade operacional.
Em Nioaque, cerca de 400 funcionários estavam vinculados à unidade, e parte deles foi realocada para outras plantas da companhia, especialmente em São Gabriel do Oeste, onde as operações passarão a ser concentradas.
De acordo com o diretor institucional da empresa, Márcio Scarlassara, um dos principais fatores para o encerramento foi a falta de habilitação da planta para exportação, especialmente ao mercado chinês, o que reduziu a competitividade da operação. “A decisão foi cuidadosamente avaliada e visa fortalecer a estrutura do grupo no longo prazo”, afirmou.
A companhia garantiu que todos os direitos trabalhistas serão respeitados, assim como os pagamentos aos pecuaristas da região. Já a Prefeitura de Nioaque informou que está em diálogo com o Governo do Estado e instituições de fomento para minimizar os impactos econômicos e buscar alternativas de recolocação profissional aos trabalhadores afetados.
Outro caso recente em Sidrolândia
Na última semana, o frigorífico Balbinos Agroindustrial, em Sidrolândia, também anunciou o fechamento das portas e entrou com pedido de recuperação judicial. A medida veio após denúncias de pecuaristas sobre a falta de pagamento na compra de bois e ocorre em meio a um prejuízo acumulado de cerca de R$ 120 milhões.
O pedido judicial, protocolado como ação cautelar antecedente, busca suspender execuções e bloqueios enquanto a empresa tenta reorganizar suas finanças. Segundo a defesa, a situação é resultado da crise financeira, agravada por endividamento bancário, aumento dos custos de produção e queda no consumo interno.
A Balbinos emprega 350 trabalhadores diretos e 250 indiretos, e informou que pretende manter parte do abate de bovinos enquanto tenta preservar empregos e reestruturar as atividades.
Com os dois fechamentos, o setor frigorífico sul-mato-grossense enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos, afetando diretamente a cadeia produtiva da carne, o mercado de trabalho regional e a arrecadação dos municípios.



