O dólar teve uma forte disparada nesta sexta-feira (10), ultrapassando R$ 5,50 pela primeira vez desde o início de agosto, em um dia de forte instabilidade nos mercados globais e domésticos. A alta foi impulsionada pela nova escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China e por preocupações com as contas públicas brasileiras.
A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 5,503, uma alta de 2,38% no dia. Durante a tarde, chegou à máxima de R$ 5,51. Na semana, o dólar subiu 3,13% e acumula valorização de 3,39% em outubro — o maior patamar desde 5 de agosto.
Na B3, o Ibovespa recuou 0,73%, fechando aos 140.680 pontos, o menor nível em mais de um mês. No acumulado de outubro, o índice já perde 3,8%, refletindo o mau humor dos investidores.
Tensão global e medidas de Trump
A nova ofensiva dos EUA contra a China acendeu o alerta nos mercados. O presidente Donald Trump anunciou um aumento de 100% nas tarifas sobre produtos chineses, após Pequim ampliar os controles de exportação de terras raras — insumo essencial para a indústria tecnológica.
A medida deve aprofundar a tensão comercial e afetar cadeias produtivas globais. As principais bolsas americanas reagiram em forte queda: Nasdaq (-3,56%), S&P 500 (-2,71%) e Dow Jones (-1,88%). O petróleo tipo Brent também recuou mais de 4%, fechando a US$ 62,73, o menor valor em cinco meses.
Pressão interna
No Brasil, a incerteza fiscal reforçou o pessimismo. A derrubada da medida provisória que aumentava a tributação de investimentos deixou um rombo de R$ 17 bilhões nas contas públicas para 2026, ano de eleições.
Com isso, o real teve o pior desempenho entre as moedas emergentes, refletindo a combinação de instabilidade política e econômica. O governo deve discutir, na próxima semana, novas medidas para recompor a arrecadação.
A alta do dólar e a queda da bolsa evidenciam o clima de cautela e risco crescente que domina os mercados neste início de outubro.


