Escritório de advocacia do Piauí que prestou serviços para advogados em MS é alvo de buscas

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Um escritório de advocacia foi alvo de mandado de busca e apreensão no Piauí, na Operação Arnaque, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a princípio por prestar serviços para escritórios de Mato Grosso do Sul. Advogado que mora em Iguatemiseria um dos principais alvos da operação e teria sido preso no Piauí.

Em Mato Grosso foram cumpridos 11 mandados de prisão, mais 6 de busca e apreensão em Sinop (MT) e União do Norte (MT). Já no Piauí, foram um de busca e dois de prisão. Os números de mandados cumpridos em Mato Grosso do Sul não foram divulgados pelo MPMS (Ministério Público de MS).

Ainda no Piauí, no escritório de advocacia, foram apreendidos 15 notebooks, 5 pen drives e dois celulares do escritório. Há informação de que o advogado morador em Iguatemi teria sido preso, junto com sócios.

Outros dois advogados da cidade também foram alvos, com mandados cumpridos nas casas e escritórios. A OAB (Ordem do Advogados do Brasil) em Mato Grosso do Sul emitiu nota afirmando que medidas serão tomadas em relação aos advogados.

Confira a nota na íntegra: “A respeito da operação deflagrada nessa manhã pelo GAECO envolvendo advogados na Comarca de Iguatemi-MS, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, informa que a Comissão de Defesa e Assistência se fez presente acompanhando as diligências, informando ainda que adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e contraditório, bem assim as prerrogativas da advocacia.”

O advogado que estaria entre os principais alvos da Operação Arnaque atuava em 10 estados brasileiros. A organização já teria movimentado cerca de R$ 190 milhões em cinco anos. Ao todo, 39 mandados de prisão preventiva e de 51 mandados de busca e apreensão são cumpridos.

Advogados alvos de operação

O advogado que é morador de Iguatemi teve mandados cumpridos na sua casa nesta manhã. Ele tem atuação, segundo dados do CNA (Cadastro Nacional de Advogados), em Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O advogado tem três escritórios na cidade. E segundo informações, a esposa e sócia do advogado também eram alvos do Gaeco. Ainda foram cumpridos mandados Naviraí, Paranhos, Tacuru, Sete Quedas, Eldorado, Anaurilândia e Chapadão do Sul.

Também foram cumpridos mandados nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná e Piauí, sendo todos expedidos pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Competência Residual da comarca de Campo Grande.

Os mandados de prisão foram cumpridos contra 7 advogados, dois vereadores e outros dois servidores públicos, pela prática dos crimes de integrar organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e uso de documento falso.

Advogados fraudavam empréstimos a idosos

Foram identificadas pelo Gaeco duas organizações criminosas, lideradas por advogados responsáveis por mais de 70 mil ações judiciais em todas as regiões do país, muitas delas consideradas temerárias pelo Poder Judiciário.

As organizações criminosas agiam obtendo procurações de idosos, deficientes e indígenas para, ao final, ajuizarem múltiplas demandas em nome deles contra instituições financeiras, terminando cerca de 10% dos casos com procedência; quando não são feitos acordos em massa com instituições financeiras.

As investigações revelaram que os crimes, apesar de explorarem pessoas em grave situação de pobreza e vulnerabilidade social, permitiram que líderes das organizações criminosas movimentassem cerca de R$ 190 milhões em menos de cinco anos de atividade.

O cumprimento da ordem judicial, no caso da Paraíba, foi acompanhado por representantes da Comissão de Prerrogativas da OAB.