Sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dores abdominais frequentes e perda de peso sem causa aparente são alguns dos principais sinais de alerta para o câncer colorretal, doença que está entre as mais comuns no Brasil. Especialistas orientam que esses sintomas não devem ser ignorados e recomendam a busca por atendimento médico o quanto antes para aumentar as chances de diagnóstico precoce e cura.
O alerta é reforçado por uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, que ouviu mais de duas mil pessoas em todo o país para avaliar o conhecimento da população sobre a doença.
Embora oito em cada dez entrevistados reconheçam que sintomas como sangue nas fezes e alterações intestinais por mais de um mês possam indicar um problema grave, quase metade dos participantes afirmou que não procuraria assistência médica imediatamente.
O levantamento revelou ainda que 9% dos entrevistados já perceberam sangue nas fezes em algum momento. Entre eles, 59% buscaram atendimento médico logo após o aparecimento do sintoma. Os demais optaram por esperar a melhora espontânea, recorreram à automedicação, fizeram mudanças na alimentação ou pesquisaram informações na internet antes de procurar um profissional de saúde.
Outro dado que chama a atenção é o desconhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), um dos principais exames utilizados para detectar precocemente sinais do câncer colorretal. Segundo a pesquisa, 67% dos brasileiros nunca ouviram falar do exame. Apenas 11% afirmaram já tê-lo realizado, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca fizeram o teste.
O desconhecimento é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos, homens, pessoas de menor renda e com menor escolaridade.
O médico Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center, destaca que o aumento dos casos da doença torna fundamental a atenção aos sintomas e à realização de exames preventivos.
Segundo ele, pessoas a partir dos 45 anos — ou antes, quando houver histórico familiar ou orientação médica — devem realizar exames de rastreamento, como a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes e a colonoscopia. O especialista ressalta que a identificação da doença em estágio inicial eleva significativamente as chances de tratamento e cura.
Dados do Instituto Nacional de Câncer estimam cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Atualmente, a doença é o segundo tipo de câncer mais incidente entre os brasileiros.
O tema ganhou ainda mais visibilidade após a morte da cantora Preta Gil, que enfrentou a doença por cerca de dois anos. Especialistas reforçam, no entanto, que a melhor estratégia continua sendo a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico diante de qualquer sinal de alerta.


