O combate à corrupção segue intenso em Mato Grosso do Sul. Somente neste ano, 11 prefeituras e uma Câmara Municipal foram alvo de operações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) por suspeitas de fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A ação mais recente ocorreu em Miranda, onde o Ministério Público identificou uma organização criminosa que, desde 2020, fraudava licitações de diversos produtos por meio de conluio entre empresários e agentes públicos. Algumas empresas vencedoras sequer possuíam sede ou funcionários. Na Operação Copertura, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em Miranda, Campo Grande e Sidrolândia.
Outro caso de grande repercussão foi em Terenos, com a Operação Spotless, que prendeu o então prefeito Henrique Budke (PSDB). Ele responde por corrupção passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, podendo pegar até 260 anos de prisão. Segundo o MPMS, Budke participou de ao menos 10 atos de corrupção e lavagem de dinheiro, e o esquema movimentou mais de R$ 15 milhões em contratos fraudulentos. Outras 25 pessoas também foram denunciadas.
Além desses municípios, Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Nioaque, Bonito e Jardim tiveram contratos investigados. Em Aquidauana, a investigação atingiu a Câmara Municipal, suspeita de fraudar licitações e contratos milionários com empresas de publicidade, usados inclusive para beneficiar interesses pessoais de agentes públicos.
De acordo com o Ministério Público, a crescente quantidade de operações não significa aumento dos crimes, mas sim maior pressão da sociedade contra a corrupção, o que fortalece as investigações. “A corrupção sempre existiu, mas a indignação popular aumentou e isso impulsiona nossa atuação. A tendência é que a repressão seja cada vez maior”, afirmou um membro do MPMS.



