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Processo de concessão da Rota da Celulose tem novo capitulo

Em um momento em que a situação das rodovias da chamada Rota da Celulose exige investimentos urgentes para garantir segurança e fluidez no tráfego, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou, nesta terça-feira (5), a inabilitação do Consórcio K&G Rota da Celulose — até então vencedor do leilão realizado em maio — e convocou o segundo colocado, o Consórcio Caminhos da Celulose, para dar continuidade ao processo licitatório.

O trecho licitado, que compreende cerca de 870 quilômetros, conecta regiões estratégicas do Estado e tem sido palco de acidentes recorrentes e reclamações de motoristas sobre buracos, falta de sinalização e más condições de tráfego. A expectativa da concessão é justamente reverter esse cenário com investimentos estimados em R$ 6,9 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, melhorias estruturais e modernização viária.

Rodovias saturadas e acidentes em alta

A chamada Rota da Celulose abrange trechos de cinco rodovias (as estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, e as federais BR-262 e BR-267), por onde escoa parte significativa da produção agroindustrial do Estado. A deficiência estrutural desses trechos, somada ao aumento do tráfego pesado, tem resultado em crescimento no número de acidentes, muitos deles fatais.

Autoridades e representantes do setor produtivo cobram celeridade no processo de concessão, uma vez que a via é considerada essencial para a competitividade econômica do Estado e a segurança de motoristas e trabalhadores da região.

Inabilitação e nova convocação

Segundo a Comissão Especial de Licitação (CEL), a decisão de inabilitar o Consórcio K&G se deu após a análise de recursos administrativos, com base em “vícios identificados na documentação apresentada”. A principal fragilidade apontada foi a cassação da concessão da BR-393 (Rodovia do Aço), no Rio de Janeiro, então operada pela K-Infra — uma das empresas que compõem o consórcio desclassificado — por inadimplência financeira, falhas na manutenção e descumprimento contratual.

A desclassificação abre caminho para o Consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Investimentos, que apresentou desconto de 8% na tarifa de pedágio e aporte de R$ 195,6 milhões. O grupo foi convocado a apresentar, no dia 13 de agosto, o Envelope 03 (documentação de habilitação), em sessão que ocorrerá na sede da B3, em São Paulo.

Próximos passos

O comunicado da CEL ainda estabelece um prazo de três dias úteis para eventual interposição de recursos contra a decisão. Se não houver novas contestações ou reviravoltas, o contrato poderá ser formalizado com o novo consórcio, o que representaria um importante avanço para destravar os investimentos esperados pela população e setores econômicos do Estado.

O projeto da Rota da Celulose prevê:

  • R$ 6,9 bilhões em investimentos totais

  • R$ 3,2 bilhões destinados a custos operacionais

  • Aportes em infraestrutura, sinalização, duplicações e manutenção preventiva

  • Administração por 30 anos com metas claras de desempenho

Urgência justificada

Para o Governo do Estado, a manutenção da competitividade logística, a redução de acidentes e a preservação de vidas tornam o projeto ainda mais urgente. A morosidade ou a escolha de operadores sem capacidade comprovada pode comprometer não apenas a economia regional, mas também a segurança de milhares de usuários diários.

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