A investigação sobre a morte de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, teve uma reviravolta quase três semanas após o crime. A Polícia Civil concluiu que o autor do feminicídio foi o marido da vítima, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, e solicitou à Justiça a conversão da prisão temporária dele em prisão preventiva. Já o filho do casal, Gabriel Lima da Silva, de 22 anos, deve ser colocado em liberdade.
O pedido foi protocolado nesta terça-feira (10) pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Coxim, responsável pela investigação. Nilza foi morta com uma facada na região abdominal na madrugada de 22 de fevereiro, dentro da casa onde morava com a família, no bairro Senhor Divino, em Coxim.
Investigação reuniu novas provas
Segundo a Polícia Civil, novas evidências coletadas ao longo das investigações permitiram reconstruir a cronologia do crime e esclarecer a dinâmica do feminicídio.
Até o momento, 23 testemunhas já foram ouvidas, entre familiares, vizinhos e policiais que atenderam a ocorrência. Além disso, imagens e áudios captados por câmeras de segurança de residências próximas ajudaram a esclarecer o que aconteceu naquela madrugada.
Uma das gravações mostra Nilza ainda em pé às 3h17, o que ajudou a estimar o horário aproximado do crime. Naquele momento, segundo a polícia, o marido e o filho estavam dentro da residência.
As imagens também registraram a chegada de Márcio à casa por volta das 3h da manhã, quando a vítima e o filho já estavam no local. Em seguida, câmeras de vizinhos captaram uma discussão dentro da residência.
Durante a confusão, o filho passou a circular ao redor da casa e chegou a sair para a rua por alguns minutos. Por volta das 3h30, uma gravação registrou o jovem dizendo a frase que se tornou peça-chave na investigação: “Meu pai acertou ela”.
Apesar de o crime já ter ocorrido nesse horário, Márcio só saiu para pedir ajuda às 4h17, quando, segundo os investigadores, Nilza já estava morta havia pelo menos 50 minutos.
Faca com sangue foi encontrada na casa
Outro ponto decisivo da investigação foi a localização do provável instrumento do crime. Na última quinta-feira (5), durante uma segunda vistoria na residência, os policiais encontraram uma faca com manchas compatíveis com sangue escondida debaixo de um sofá, próximo ao local onde a vítima foi encontrada.
No dia do crime, cinco facas haviam sido recolhidas pela perícia, mas nenhuma apresentou resultado positivo para sangue.
Contradições no depoimento
De acordo com a Polícia Civil, o depoimento do marido apresentou diversas contradições, principalmente em relação ao horário e à dinâmica do crime.
Já o relato do filho permaneceu coerente com as provas reunidas durante a investigação.
Diante dos elementos coletados, a polícia concluiu que Márcio foi o responsável pelo feminicídio e solicitou à Justiça a prisão preventiva do suspeito, além da revogação da prisão temporária do filho da vítima.
Histórico de violência
Nilza foi encontrada morta dentro da própria casa na madrugada de 22 de fevereiro. Na ocasião, marido e filho chegaram a ser presos temporariamente após apresentarem versões contraditórias sobre o ocorrido.
A investigação também revelou que a vítima já havia denunciado o marido por ameaças e violência doméstica em 2024.
O inquérito deve ser concluído nos próximos dias, restando apenas alguns laudos periciais que ainda estão em elaboração. O pedido da Polícia Civil agora será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.

