O laudo necroscópico do caso que resultou na morte de Wellington dos Santos Vieira, durante uma ocorrência da Polícia Militar em Anastácio, apresenta conclusões que divergem da versão relatada por familiares. O caso ocorreu na madrugada do dia 31 de março.
Segundo a família, Wellington teria sido atingido por disparo nas costas durante a abordagem policial. No entanto, o exame pericial indica outra dinâmica para o fato.
De acordo com o laudo, a vítima sofreu uma fratura na base do crânio provocada por disparo de arma de fogo. O documento descreve uma ferida perfurocontusa na região mandibular esquerda, ou seja, na face. O projétil seguiu um trajeto horizontal em direção à base do crânio, ficando alojado na região do pescoço, do lado direito.
As informações técnicas levantadas pelo exame contradizem diretamente a narrativa de que o disparo teria ocorrido pelas costas.
O caso ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança circularem, sendo utilizadas por familiares para sustentar a versão apresentada. Além disso, parentes também relataram que a mãe da vítima teria presenciado a ação e acusado os policiais de excesso.
No campo institucional, a ocorrência resultou em medidas administrativas e judiciais. Os policiais envolvidos foram afastados das funções no dia 1º de abril. Já no dia 3, dois militares tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, a pedido da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, no âmbito do Inquérito Policial Militar (IPM).
Conforme a corporação, a medida foi adotada após análise técnico-jurídica dos elementos já coletados, com o objetivo de preservar a ordem pública e garantir a lisura das investigações.
Após a decisão judicial, os militares foram encaminhados ao Presídio Militar Estadual, em Campo Grande.
A Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (Aspra-MS) se manifestou publicamente em defesa dos envolvidos. Em nota, a entidade afirmou que os policiais agiram em contexto de risco real e sob indícios de legítima defesa, além de classificar a prisão como injusta e desproporcional. O setor jurídico da associação informou que já protocolou pedido de revogação da medida.
A Polícia Militar reforçou, por meio de nota, o compromisso com a legalidade, a transparência e a apuração rigorosa dos fatos, destacando que o caso segue em investigação.

