O mês de agosto marca a campanha Agosto Lilás, dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. Em Mato Grosso do Sul, o alerta é ainda mais urgente: o Estado lidera o ranking nacional de feminicídios, segundo dados recentes da Secretaria de Segurança Pública.
Neste contexto alarmante, mais um caso brutal chocou o Estado no último fim de semana. Vitor Ananias de Jesus, 25 anos, foi preso pelo feminicídio da esposa Letícia Ferreira Araújo, também de 25 anos, em Cassilândia, a 430 km de Campo Grande. O crime ocorreu na noite de sábado (9) e expôs sinais de comportamento agressivo que muitas vezes antecedem tragédias, mas acabam sendo negligenciados.
Conforme o registro policial, Vitor foi detido em estado de aparente tranquilidade, sem demonstrar remorso. No momento da prisão, afirmou não ter visto Letícia ao sair de carro, mas testemunhas o desmentiram. Uma delas relatou que a vítima correu pela rua pedindo socorro enquanto Vitor acelerava o veículo em sua direção. Pouco antes, Letícia teria ligado para a polícia, mas a chamada caiu; populares refizeram os contatos até a chegada da viatura.
O agressor atropelou a esposa e colidiu o carro contra um muro. O filho de 6 anos da vítima presenciou a cena e correu até a mãe, que já estava caída no chão. Ela sofreu traumatismo craniano e fratura na mandíbula.
A sogra da vítima contou que o casal brigava constantemente. Recentemente, após uma festa, discutiram dentro do carro e quase causaram um acidente, sendo necessário que ela interviesse. Um vizinho afirmou ter visto Vitor chamando pelo nome de Letícia antes de deixar a cena do crime.
A perícia apontou que não havia marcas de frenagem e que a curta distância entre a garagem e o portão exigiria aceleração para gerar um impacto tão grave.
Sinais que um agressor pode apresentar antes de um feminicídio: ciúmes excessivo, isolamento da vítima da família e amigos, controle de horários e contatos, agressões verbais, ameaças veladas, destruição de objetos, histórico de violência física e episódios de fúria, especialmente sob efeito de álcool ou drogas. Em muitos casos, como no de Letícia, familiares e vizinhos já conheciam o histórico de brigas.
Lista de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul em 2025
(dados até 9 de agosto)
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Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro
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Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro
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Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro
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Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro
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Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro
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Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março
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Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março
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Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril
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Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio
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Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio
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Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio
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Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio
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Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio
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Sophie Eugenia Borges (Campo Grande) – 28 de maio
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Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho
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Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho
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Rose (Costa Rica) – 27 de junho
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Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho
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Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho
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Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho
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Salvadora Pereira (Corumbá) – 02 de agosto
📍 Onde buscar ajuda em MS
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Casa da Mulher Brasileira (Campo Grande) – Rua Brasília, s/n, Jardim Imá – 24h/dia, inclusive fins de semana.
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Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal funcionam no mesmo local.
📞 Canais de denúncia e emergência
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180 – Central de Atendimento à Mulher (acolhimento, orientação e encaminhamento)
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190 – Polícia Militar (emergência)
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Promuse – WhatsApp (67) 99180-0542
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Corregedoria da Polícia Civil/MS – (67) 3314-1896
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GACEP (MPMS) – (67) 3316-2836 / (67) 3316-2837 / (67) 9321-3931
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher no interior: Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Agosto Lilás é mais do que um mês de mobilização — é um chamado à ação. Denunciar pode salvar vidas.


