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MS tem o dobro da média nacional de feminicídios e DAMs falham

O quadro se agrava no interior. Em Aquidauana, por exemplo, o tão propagandeado atendimento 24 horas à mulher sequer foi implementado. A delegacia especializada funciona apenas no horário normal e, além disso, fecha para almoço, deixando as vítimas ainda mais vulneráveis em situações de urgência. Enquanto isso, agressores continuam soltos e mulheres seguem desamparadas.

Casos de Campo Grande: feminicídios por negligência

Na Capital, duas mortes recentes escancararam as falhas graves no funcionamento da Delegacia de Atendimento à Mulher. A jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em fevereiro de 2025, e Ivone Barbosa da Costa Nantes, morta apenas dois meses depois, procuraram a delegacia e registraram ocorrências contra seus agressores, que já tinham histórico de medidas protetivas. Mesmo assim, ambos foram liberados e voltaram a cometer crimes fatais. Esses casos, atribuídos à negligência da DAM de Campo Grande, mostram como a falta de rigor no atendimento e no cumprimento da lei pode custar vidas.

Campanhas são paliativas sem estrutura

Mesmo com o aumento de campanhas de conscientização, a realidade permanece cruel. Sem atendimento 24 horas, acolhimento humanizado, efetividade nas medidas protetivas e integração com Defensoria e serviços sociais, a violência só se reproduz — institucionalizada e letal.

Números alarmantes: MS bem acima da média nacional

Entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2025, pelo menos 20 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul — uma morte a cada 9 dias. Em 2024, foram 35 feminicídios no estado, com taxa de 2,4 por 100 mil mulheres, o dobro da média nacional, que é de 1,34, ficando atrás apenas de Mato Grosso, com 2,5.

O estado também lidera na proporção de feminicídios entre homicídios de mulheres: 62,7% dos casos se deram por violência de gênero. Até julho de 2025, já são 18 feminicídios, sendo 4 deles apenas em Campo Grande, distribuídos por diversos municípios.

Ao longo de 2024, Mato Grosso do Sul registrou 11.427 casos de violência doméstica, além de apresentar a quarta maior taxa de estupros do país: 81,46 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, que é de 39,10.

Brasil: cenário grave e institucionalmente desigual

Em 2023, o Brasil registrou 3.903 homicídios de mulheres, com taxa de 3,5 por 100 mil. Entre 2013 e 2023, 47.463 mulheres foram assassinadas no país, média de 13 por dia. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), embora considerada uma das mais avançadas do mundo, tem eficácia desigual na prática, muitas vezes falhando em proporcionar segurança real às vítimas.

Um apelo urgente: do discurso à ação efetiva

A persistência da violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul não pode ser atribuída apenas à falta de campanhas ou políticas gerais. Falta comprometimento institucional: delegacias precisam funcionar de verdade, medidas protetivas devem ser eficazes e os agentes precisam entender que, sem estrutura e agilidade, a vida continua em risco.

As mulheres do estado não precisam apenas de retórica de campanha — precisam de proteção real, acolhimento seguro e justiça que funcione de verdade.

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