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“Noneti” – Uma câmera, um índio e 500 anos de opressão

“Noneti – Uma câmera, um índio e 500 anos de opressão”

Uma exposição que retrata o olhar de um índio sobre a história de seu povo por meio de uma câmera fotográfica. Em trinta e duas fotografias em preto e branco o fotógrafo Dionedison Terena mostra a realidade das etnias Terena, Guató, Ofaié e Guarani-Kaiowa que compõe a exposição que ficará aberta ao público nesta terça-feira (19) e vai até o dia 15de maio no MIS (Museu de Arte Contemporânea) com a curadoria da jornalista Marinete Pinheiro.

O processo de fotografia o qual Dionedison exerce hoje, tem uma razão por trás. Motivado pelo que acontece com a população indígena em Mato Grosso do Sul, o terena viu que não bastava só enxergar, era preciso testemunhar, registrar e criar mecanismos de defesa de um povo.

Natural da aldeia Bananal, o fotógrafo atualmente vive na aldeia Água Bonita. Entrou no mundo da fotografia em 2007, “foi pela necessidade de contrapor a mídia da forma como noticiam o ambiente indígena, muitas vezes distorcendo as informações”, diz o índio, que ainda relata já ter tido seus equipamentos fotográficos apreendidos por autoridades.

Ao entrar para os movimentos indígenas, o fotógrafo hoje com 39 anos, encontrou pela fotografia um meio de se armar. “Durante a minha caminhada eu percebi que faltava algo dentro do movimento: era exatamente fazer isso, o registro dos fatos que vem ocorrendo”, explica. Através da câmera ele também tem uma segunda missão: a de tentar mudar a forma como os indígenas são vistos e tratados, em especial, pela mídia.

“Já vivenciei algumas reintegrações de posse, que me dá a oportunidade de fotografar e acompanhar todo esse processo. Um deles foi muito tenso e até hoje não apaga da minha memória, na aldeia Buriti, o Oziel Gabriel, assassinado pela Polícia”, recorda.

Foi com fotógrafos de guerra, conectados via internet, que Dionedison aprendeu que teria de deixar a emoção de lado para focar na razão. “Às vezes eu não conseguia me concentrar, era um sentimento de dor, misturado com ódio e isso me atrapalhava um pouco a fazer esse trabalho de fotografia”, descreve.

Até hoje não é fácil de ver e nem de clicar momentos de tensão assim. Ele também se vê perseguido por fotografar e filmar e alerta que é preciso cautela, assim como qualquer profissional numa cobertura mais delicada. “Eu sempre procuro chegar nesses locais de ataque recente, colher depoimento das pessoas. Elas relatam tudo o que acontece”, explica.

O primeiro contato com a câmera foi ainda no Pontão de Cultura Guaicurus, que alguns anos atrás oferecia cursos de vídeo e foto, mas só nos últimos dois que uma câmera semiprofissional tem acompanhado Dionedison. Um pouco antes do equipamento, as imagens capturadas já eram expostas na rede, pensando em relatar o “lado indígena”, por tantas vezes massacrado na imprensa, o terena criou a página no Facebook “Resistência do Povo Terena”, onde posta fotos e comenta, baseado no que vive e no que lê, das notícias.

“Eu não tenho uma formação em fotografia, em jornalismo. Toda essa aprendizagem, esse conhecimento que eu tenho é do que eu vivi mesmo”. E o motivo de soltar suas fotos ao mundo é contrapor o que os jornais insistem em estampar, diz ele. “Quando faz retomada, a primeira coisa que aparece é invasão. Eu tento contrapor a fala da mídia. Não é invasão quando os indígenas retomam suas terras, que são consideradas terras tradicionais”, frisa.

Quer saber que é Dionedison por trás das câmeras? Visite a exposição “Noneti – Uma câmera, um índio e 500 anos de opressão” que acontece no MIS de 18/04 a 15/05. O horário de funcionamento do MIS é das 7h30 às 17h30.

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