Mais de 560 mil pessoas passaram a fazer parte da população não economicamente ativa (PNEA) em um ano. Para especialistas, brasileiros podem estar desistindo de procurar emprego.
Já são 19,595 milhões as pessoas em idade ativa que não vão atrás de trabalho no País. Em outubro de 2014, a situação era vivida por 19,034 milhões de brasileiros. E a distância fica ainda maior na comparação com anos anteriores: no final de 2010, a PNEA era composta por 17,659 milhões de brasileiros.
Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostrou que, no geral, o desemprego subiu para 7,9% em outubro, maior taxa para o mês desde 2007.
Roberto Piscitelli, professor de economia da UNB, lembra que “as pessoas [integrantes da PNEA] não entram nas estatísticas do IBGE como desempregados porque não estão procurando emprego. Caso contrário, o desemprego seria maior”.
Os brasileiros com mais de 50 anos foram os que mais espaço ocuparam na PNEA. Em um ano, o número subiu de 8,987 milhões para 9,640 milhões: 653 mil pessoas da faixa etária entraram no grupo dos que não trabalham e não procuram emprego.
Piscitelli explica: “temos um número crescente de pessoas mais velhas no Brasil. É um montante crescente de pessoas que se aposentaram e saem do mercado de trabalho, muitas vezes, por opção”.
Também houve crescimento na PNEA para as faixas de 25 a 49 anos, com a entrada de 88 mil pessoas, e de 18 a 24 anos (43 mil). Antonio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), acredita que “parte dessas pessoas pode ter desistido de procurar emprego por causa da situação econômica do País”.
Santos comenta também que “como as famílias de classe média tem menos filhos do que antigamente, esses filhos podem ficar mais tempo estudando, fora do mercado de trabalho, sem deixar de ser sustentados por seus pais”.
Na comparação por regiões metropolitanas, só o Rio de Janeiro não apresentou crescimento da PNEA. Foram registrados aumentos em Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.
Desemprego
A taxa de desocupação de outubro (7,9%) teve leve alta em relação a setembro (7,6%) e subiu 3,2 pontos percentuais na comparação com outubro de 2014 (4,7%).
Mais de 770 mil pessoas entraram no grupo dos desempregados em um ano. Na comparação anual, essa foi a maior variação percentual da população desocupada da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, iniciada em 2002.
O número de trabalhadores com carteira assinada recuou 4,0% (470 mil pessoas) em um ano. E o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 2.182,10) caiu em ambas as comparações: -0,6% frente a setembro e -7,0% em relação a outubro de 2014.
O desaquecimento do consumo, registrado por estudos como a Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve impedir uma inflexão maior na taxa de desemprego ao fim deste ano.
“Como a gente vê pelos dados do próprio IBGE um desaquecimento das vendas, provavelmente não deve haver uma enxurrada de trabalho temporário. Por menor que seja esse trabalho temporário, ele ocorre. O que a gente não sabe é se ele será o suficiente para absorver todas as pessoas que estão buscando (emprego)”, avalia Adriana Beringuy, técnica do IBGE.
O aumento na taxa de desemprego em outubro foi puxado pela população jovem, na faixa etária de 18 a 24 anos. A taxa dessa população aumentou de 18,4% em setembro para 19,5% em outubro. Em outubro de 2014, o patamar era de 11,8%.
Para Santos, o desemprego “infelizmente deve continuar crescendo”. Entretanto, ele pondera que “se a crise política, que está atrelada a crise econômica, arrefecer um pouco, talvez esse aumento seja menor no ano que vem”.
Indústria
Na indústria, o emprego recuou 2,4% no terceiro trimestre de 2015 em relação aos três meses imediatamente anteriores, na série com ajuste sazonal. Trata-se da 11ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto. O emprego no segmento já acumula perda de 11,2%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário (Pimes), também do IBGE e divulgado ontem.
Já na comparação com o terceiro trimestre de 2014, o emprego industrial encolheu 6,8%, intensificando o ritmo de queda observado entre abril e junho deste ano, quando a perda foi de 5,9% ante igual período do ano passado.
O valor real da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria também caiu (-1,6%) em setembro ante agosto, já descontados os efeitos sazonais. Com o resultado, o índice acumula queda de 6,8% no ano e diminuição de 6,0% em 12 meses.
O Programa de Proteção ao Emprego (PPE), o qual deve favorecer o setor industrial, foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff somente ontem. Foram quatro meses de vigência da medida provisória.
O programa prevê a redução temporária da jornada de trabalho, com diminuição de até 30% do salário. Para isso, o governo arcará com 15% da redução salarial usando recursos do FAT. Foram aprovadas 33 adesões ao PPE.



