Polícia Civil encontrou materiais neonazistas e outros conteúdos durante investigação; adolescente de Aquidauana está entre os investigados
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul avançou nas investigações sobre grupos virtuais suspeitos de incentivar violência extrema e que estariam relacionados à morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, em julho deste ano.
A apuração identificou diferentes grupos, chamados de “clãs” pelos investigadores, que atuariam em plataformas digitais como Discord e Telegram. Segundo a polícia, os integrantes desempenhavam funções diversas, incluindo recrutamento, administração, moderação e pressão sobre outros participantes.
Na segunda fase da Operação Lívia, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em diferentes estados. Celulares, computadores e mídias digitais foram recolhidos e serão submetidos à análise para identificar outros envolvidos e esclarecer a estrutura de funcionamento dos grupos.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam para o uso de chantagens, manipulação e coerção psicológica contra adolescentes em situação de vulnerabilidade. O objetivo é identificar os responsáveis, localizar possíveis vítimas e interromper situações de risco.
Materiais extremistas foram apreendidos
Durante a primeira fase da operação, os policiais encontraram materiais relacionados à ideologia neonazista, além de armas e conteúdos criminosos envolvendo menores de idade.
Segundo as investigações, esses elementos seriam utilizados pelos grupos para promover radicalização, discursos de ódio e desafios envolvendo violência extrema.
Um adolescente de Aquidauana está entre os integrantes investigados. Na primeira etapa da operação, realizada em agosto, um homem foi preso e cinco adolescentes foram apreendidos. Entre eles estava um jovem de 14 anos apontado pela polícia como uma das lideranças do grupo.
Investigação começou após morte em Naviraí
A investigação teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, encontrada sem vida na residência onde morava, em Naviraí, no dia 22 de julho.
Segundo a Polícia Civil, a jovem teria sido submetida a situações de pressão e manipulação por integrantes de um grupo virtual. As investigações apontam que os envolvidos teriam utilizado uma plataforma de comunicação para incentivar comportamentos violentos e, posteriormente, pressionado a adolescente em uma transmissão ao vivo.
O caso passou a ser investigado como parte de uma estrutura virtual mais ampla, levando os policiais a identificar outros participantes e possíveis vítimas.
A Polícia Civil continua analisando os equipamentos apreendidos para identificar novas conexões, esclarecer a participação de cada investigado e verificar a existência de outras vítimas.
As autoridades também reforçam a importância de comunicar situações envolvendo ameaças, aliciamento, violência ou exploração de crianças e adolescentes nos ambientes digitais aos órgãos competentes.


