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Operação Spotless: prefeito de Terenos é preso por liderar esquema que desviou R$ 15 milhões

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) revelaram que o prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), preso na última terça-feira (9), utilizava dinheiro de propina para comprar imóveis e investir em empresas. O caso foi desvendado pela Operação Spotless, que apura fraudes em licitações avaliadas em mais de R$ 15 milhões.

Crescimento patrimonial suspeito

Segundo o relatório obtido pelo Jornal Midiamax, o patrimônio declarado por Budke teve um salto de 691% entre as eleições de 2020 — quando disputou o cargo pela primeira vez — e as de 2024, em que se reelegeu.
Os investigadores apontam que o prefeito teria recebido cerca de R$ 611 mil em propinas, declarando valores muito abaixo do mercado para justificar a origem de bens adquiridos.

Um dos exemplos citados é a Fazenda Ipê Amarelo, em Aquidauana, de 161 hectares. Budke declarou ter pago R$ 1,5 milhão à vista, mas o valor de mercado da propriedade ultrapassa R$ 4,3 milhões.

Outro caso envolve a empresa Resilix Ltda. Embora tenha declarado participação de apenas R$ 1 mil em 33% da sociedade, os investigadores descobriram que o capital social real atingia R$ 2,2 milhões — o que daria ao prefeito uma fatia de aproximadamente R$ 745,9 mil.

No total, o patrimônio de Budke chegaria a R$ 6,1 milhões em 2024, crescimento considerado incompatível com sua função pública.

Prisões e desdobramentos

A operação também levou à prisão do 3º Sargento do Choque, Fábio André Hoffmeister Ramires, além de outras dez pessoas, incluindo empresários e servidores públicos.
Entre os presos estão: Arnaldo Santiago, Sansão Inácio Rezende, Nadia Mendonça Lopes, Orlei Figueiredo Lopes, Genilton da Silva Moreira, Eduardo Schoier, Fernando Seiji Alves Kurose, Henrique Wancura Budke, Hander Luiz Corrêa Chaves, Sandro José Bortoloto e Valdecir Batista Alves.

O sargento Fábio, além de policial militar, também atuava como empresário e teria envolvimento direto em contratos de obras públicas. Em 2021, ele assinou ordens de serviço em nome da empresa Tercam, que recebeu R$ 248,7 mil pela reforma de uma escola indígena em Aquidauana — contrato firmado com o então secretário de educação Édio Antonio Resende de Castro, preso na Operação Turn Off.

Esquema de corrupção

De acordo com o Gaeco, Budke é apontado como líder da organização criminosa que fraudava licitações. O grupo montava editais sob medida para favorecer determinadas empresas, simulando concorrência legítima.
Além disso, servidores públicos atestavam falsamente o recebimento de obras e serviços, liberando pagamentos superfaturados. Em troca, recebiam propina.

As provas da Operação Spotless surgiram a partir da Operação Velatus, deflagrada em agosto de 2024, que já havia identificado movimentações suspeitas na gestão.

Nome da operação

O nome Spotless significa “sem manchas” em inglês, e faz referência à necessidade de que processos de contratação da administração pública sejam realizados de forma limpa e transparente, sem irregularidades.

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