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Peão sobrevive a ataque brutal de onça-pintada no Pantanal: “Foi Deus, um verdadeiro milagre”

Uma impressionante história de sobrevivência ganhou destaque no Pantanal sul-mato-grossense. O peão Flávio Ricardo do Espírito Santo, de 28 anos, sobreviveu a um ataque brutal de uma onça-pintada enquanto trabalhava em uma fazenda da região.

O caso ocorreu no último sábado (4), na Fazenda Milagres — nome que, diante do ocorrido, parece carregar um significado ainda mais simbólico.

A investida do animal mobilizou uma operação de resgate que envolveu o Corpo de Bombeiros e o Exército Brasileiro. Flávio perdeu muito sangue antes de receber o atendimento médico, mas foi salvo a tempo e hoje se recupera na Santa Casa de Campo Grande.

Em entrevista ao repórter Paulo Cruz, do Auto News, o peão emocionou-se ao lembrar do momento em que acreditou que não sobreviveria:

“Foi um milagre, foi Deus, tudo foi Deus. Eu imaginei que não ia sair dessa”, disse, visivelmente comovido.

Flávio fazia uma ronda de rotina a cavalo ao lado de um companheiro na região pantaneira. Em determinado ponto, os dois se separaram, e ele percebeu urubus sobrevoando uma moita — sinal comum para quem vive no campo, geralmente indicando a presença de carcaças de animais.

Ao se aproximar para verificar, foi surpreendido pela onça, que o atacou de forma repentina.

“Ela pulou na minha perna e me puxou de cima do cavalo. Quando me derrubou, só tive tempo de usar os braços pra me proteger e chutei ela com a outra perna”, relatou.

O ataque durou poucos segundos, mas deixou ferimentos profundos. A onça só recuou quando o colega de Flávio gritou e os cães da fazenda começaram a latir, espantando o animal.

Mesmo ferido, o peão reagiu rapidamente. Montou o cavalo do colega e cavalgou por mais de meia hora até a sede da fazenda, com medo de que o felino voltasse.

“Cheguei meio zonzo, escurecendo a vista. Perdi muito sangue, mas consegui chegar em casa, graças a Deus.”

Na fazenda, ele foi socorrido pela esposa até a chegada dos bombeiros, que estavam em uma base próxima, em Lourdes. Pouco depois, um helicóptero do Exército fez o resgate aéreo.

“Se fosse de caminhonete, seriam mais de 15 horas de viagem até Corumbá. Eu não teria aguentado”, contou.

Durante a entrevista, o repórter mostrou inclusive parte de uma presa da onça que ficou cravada na perna do trabalhador — uma prova da força impressionante do ataque.

Uma vida dedicada ao Pantanal

Nascido e criado no Pantanal, Flávio conhece os riscos do trabalho com o gado em áreas de mata fechada. Já havia visto rastros de onça várias vezes, mas nunca uma tão de perto.

“Só pensei em Deus na hora. Foi tudo muito rápido. Nunca tinha visto uma assim, só rastro, uma pegada, uma terra mexida. Mas dessa vez foi diferente. Foi a primeira e, se Deus quiser, a última. Nascer de novo é um milagre mesmo.”

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