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Tensão na Aldeia Água Branca: equipe da SESAI é impedida de sair

Indígenas da Aldeia Água Branca, localizada no distrito de Taunay, em Aquidauana, detiveram uma equipe da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) de Campo Grande nesta quinta-feira (5), em ato de protesto contra a negligência do Governo Federal em relação à reforma da Unidade de Saúde da comunidade. O posto está em condições precárias, com estrutura deteriorada e sem previsão de obras, apesar das inúmeras reivindicações feitas ao longo dos últimos anos.

Segundo apuração do JNE, os indígenas decidiram reter os servidores como forma de pressionar por uma resposta imediata da SESAI e do coordenador do DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), Lindomar Terena, que também é indígena e responsável pela gestão dos recursos destinados aos polos-base de atendimento nas aldeias.

De acordo com lideranças locais, esta é a terceira vez que uma equipe técnica é enviada apenas para avaliar as condições da unidade, sem que qualquer intervenção concreta seja feita. “Estamos cansados de visitas e promessas. A estrutura do posto está caindo aos pedaços, faltam materiais básicos e o atendimento é indigno. Não vamos liberar ninguém até termos um posicionamento oficial”, declarou uma das lideranças da aldeia.

Promessas não cumpridas pelo Governo Lula

A insatisfação também recai sobre as promessas feitas durante a campanha presidencial e nos primeiros meses do Governo Lula. A criação do Ministério dos Povos Indígenas e o fortalecimento da saúde indígena foram anunciados como compromissos centrais da gestão, mas, na prática, diversas comunidades seguem abandonadas. Em Mato Grosso do Sul, a realidade é crítica: faltam profissionais de saúde, medicamentos, transporte e infraestrutura nas aldeias.

Em 2023, durante visita a territórios indígenas no Amazonas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os povos originários “nunca mais seriam tratados com descaso”, prometendo investimentos robustos na reestruturação da saúde indígena. Contudo, a situação em regiões como Taunay, Amambai e Dourados mostra que as ações não saíram do papel.

Além da promessa de ampliar a rede de atendimento, foi anunciada a criação de unidades móveis de saúde e reformas estruturais nos polos existentes — o que, até o momento, não se concretizou em diversas localidades do Pantanal e do Cone-Sul de Mato Grosso do Sul.

Protestos semelhantes em MS

O caso de Taunay não é isolado. Em maio de 2023, indígenas Guarani-Kaiowá bloquearam a BR-163 na região de Dourados em protesto contra a precariedade da saúde e a ausência de medicamentos nas unidades. No mesmo ano, em Amambai, representantes das aldeias realizaram manifestação em frente à sede do DSEI cobrando a nomeação de médicos, entrega de ambulâncias e abastecimento de remédios.

A retenção da equipe da SESAI em Água Branca, ainda que pacífica, reflete um quadro de exaustão e cobrança por dignidade. Até o momento, a equipe continua na aldeia, aguardando resposta da coordenação da Secretaria.

O JNE segue acompanhando o desdobramento da situação.

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