A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o alerta no mercado global de energia. Autoridades do Irã afirmaram que o mundo deve se preparar para um cenário em que o barril de petróleo possa atingir US$ 200, caso a instabilidade na região continue afetando rotas estratégicas de transporte de combustível.
As declarações ocorreram após forças iranianas atingirem navios mercantes no Golfo Pérsico na quarta-feira (11), ampliando as tensões no Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. A escalada do conflito, que envolve ataques entre Irã, Israel e forças apoiadas pelos Estados Unidos, já provoca turbulência nos mercados internacionais.
Os preços do petróleo chegaram a subir no início da semana para perto de US$ 120 por barril, antes de recuarem para cerca de US$ 90, mas voltaram a registrar alta diante do temor de interrupção no fornecimento global.
Os reflexos já começam a aparecer no Brasil. Em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, o valor da gasolina já disparou nos postos, acompanhando a instabilidade do mercado internacional e o aumento do custo do petróleo.
A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação emergencial de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais, numa tentativa de reduzir o impacto do que especialistas consideram um dos maiores choques no mercado de petróleo desde a década de 1970.
Segundo autoridades iranianas, a elevação do preço seria consequência direta da instabilidade provocada pela guerra. “Preparem-se para o petróleo a US$ 200 por barril, porque o preço depende da segurança regional”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã.
Enquanto isso, a tensão continua no Golfo Pérsico. Relatos indicam que três navios mercantes foram atingidos recentemente, elevando para 14 o número de embarcações danificadas desde o início do conflito. Há também suspeitas de que minas tenham sido instaladas no Estreito de Ormuz, o que aumenta o risco para o transporte marítimo de petróleo.
O agravamento da guerra também levanta preocupações com novos ataques a infraestrutura energética na região, o que poderia pressionar ainda mais o mercado global e manter os combustíveis em alta nos próximos meses.

