Profissionais da educação e trabalhadores de outras categorias fazem manifestação na manhã desta quarta-feira (15) em Mato Grosso do Sul contra a reforma da Previdência. Em Campo Grande, eles estão reunidos na área central da cidade desde às 8h15 (de MS). Segundo a organização, participam aproximadamente 20 mil pessoas. A Polícia Militar (PM) fala em 15 mil. Por causa do movimento, o trânsito está complicado.
No início da manhã, motoristas de ônibus paralisaram o trabalho por aproximadamente duas horas. Na BR-163, em Nova Alvorada do Sul, professores e sem-terra interditaram por aproximadamente quatro horas a rodovia. Por causa da manifestação, alunos da rede pública estão sem aula.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed), da capital sul-mato-grossense informou que faz levantamento de quantas escolas ficaram fechadas nesta quarta-feira. A Secretaria Estadual de Educação também apura a quantidade de profissionais que aderiram ao movimento e informou ainda que as aulas desta quarta-feira vão ser repostas em data que ainda não foi definida.
De acordo com a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), as atividades nas escolas estaduais vão ser paralisadas por tempo indeterminado.
Manifestação
O presidente do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), Luícilio Souza Nobre, diz que a reforma previdenciária prejudica os trabalhadores e principalmente os educadores. O sindicalista acredita que cerca de 5 mil professores devem se reunir na sede da ACP e caminhar até a Praça Ary Coelho, no Centro.
“Pra nós a medida do governo não é uma reforma e sim o fim da previdência. Para aposentar com 65 anos, trabalhando 49, teria que começar a trabalhar com dezesseis anos, professor não começa a trabalhar com essa idade, porque ele tem que estudar e se formar. Dessa forma o professor só vai se aposentar depois dos setenta anos. Todas as instituições não sabem de rombo, só o governo federal que fala desse rombo. Por isso a gente pede que essa proposta seja retirada da pauta e discutida com a população, mas a sociedade tem que ser ouvida” afirma Nobre.
Professora da educação infantil há 24 anos, Niseli Macedo Chaves, de 49 anos, também é contra as possíveis novas regras da Previdência. “Eu acho que vou morrer junto com meus alunos, porque do jeito que está não aposenta. Essa PEC nao pode ser aprovada. Aumentou a expectativa de vida mas aumentou desse tanto? É uma revolta”, fala.
Niseli é mãe da estudante de pedagogia, Milena Macedo de Almeida, 20 anos, que também participa do manifestação e está preocupada com o futuro da filha como professora. “No começo eu fui contra, mas ela falou: é o que eu gosto”, disse. (G1MS)


