Dois insetos conhecidos como barbeiros foram encontrados no município de Anastácio e testaram positivo para o protozoário Trypanosoma cruzi, responsável pela transmissão da doença de Chagas. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Apesar da detecção do parasita nos vetores, a secretaria informou que não há registro de transmissão da doença em humanos em Mato Grosso do Sul.
O monitoramento é realizado por meio do boletim entomológico divulgado regularmente pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores. O documento apresenta a identificação dos insetos coletados e os resultados das análises laboratoriais.
Segundo a SES, a presença do barbeiro não significa automaticamente que há transmissão da doença, mas serve como alerta para reforçar o monitoramento e as ações de vigilância.
Como ocorre a transmissão
Os triatomíneos, conhecidos popularmente como barbeiros, são insetos que se alimentam de sangue de animais e também de seres humanos. A transmissão da doença de Chagas não ocorre pela picada, mas pelas fezes ou urina do inseto, que podem conter o protozoário Trypanosoma cruzi.
Quando a pessoa coça o local da picada, o parasita pode penetrar no organismo pela pele ou por mucosas.
Esses insetos são mais comuns em áreas rurais e podem migrar para residências quando há alterações ambientais, como desmatamento.
De hábitos noturnos, costumam se esconder em frestas de telhados, chiqueiros, currais, ninhos de galinhas ou pássaros e até em casinhas de cachorro.
Uma fêmea pode viver cerca de um ano e colocar entre 100 e 350 ovos ao longo do ciclo de vida. O barbeiro é semelhante ao percevejo, mas possui desenhos característicos nas costas.
Em Mato Grosso do Sul, a espécie mais comum é o Triatoma sordida, enquanto o Triatoma infestans é mais frequente em outras regiões do país.
Doença pode afetar coração e intestino
De acordo com o médico infectologista Maurício Pompilho, a doença de Chagas também pode ser transmitida por alimentos contaminados ou transfusão de sangue.
A enfermidade pode comprometer diferentes órgãos, principalmente o coração e o sistema digestivo. Embora exista tratamento medicamentoso, os danos causados em fases avançadas da doença podem ser difíceis de reverter.
Segundo o especialista, após muitos anos a doença pode provocar problemas cardíacos, aumento do tamanho do coração, falta de ar, inchaço nas pernas, barriga inchada, palpitações e até desmaios.
Em outros casos, pode atingir o sistema digestivo, causando dilatação do intestino, constipação severa ou dilatação do esôfago, o que dificulta a ingestão de alimentos.
Vigilância e prevenção
A SES informou que mantém vigilância permanente para identificar a presença do vetor e reduzir possíveis riscos. Entre as ações estão a identificação das espécies coletadas, exames parasitológicos e orientações técnicas aos municípios.
O coordenador estadual de Controle de Vetores destacou que Mato Grosso do Sul não é considerado um estado endêmico para a doença, mas que o monitoramento continua ativo.
Atualmente, os 79 municípios do estado realizam pesquisas de triatomíneos em áreas rurais, e a população também pode colaborar informando às autoridades de saúde caso encontre o inseto.
Especialistas recomendam cuidados principalmente em áreas rurais, trilhas ou acampamentos, como observar o ambiente e, quando possível, utilizar repelentes.
O monitoramento da Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores é realizado por unidades localizadas em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas, que recebem insetos enviados pelos municípios para identificação e exames relacionados à doença de Chagas.



