Quando eu procurei seo José Lino pra saber sua trajetória no município de Aquidauana, de cara ele já disse – “ah, mas todos nós temos uma história de vida”, talvez por achar que não tem nada de mais para contar nesses 64 anos de vida, mais da metade vivido no Mato Grosso do Sul. Salvo engano desse simpático senhor, porque para quem não sabe, seu negócio no ramo de serviços póstumos que deu certo na região, hoje é o sustento de aproximadamente 60 famílias, com funcionários distribuídos em Aquidauana, Anastácio e Miranda.
Sentamos na varanda da sua casa, no bairro Alto, e logo perguntei por que ele trocou o Estado de São Paulo pelo Portal do Pantanal.
“Veja bem, eu vim com um pessoal para pescar aqui no Rio Aquidauana e gostei da região. De cara não vim pra cá, morei uns tempos em Campo Grande, sou professor e fui lecionar na Capital do Mato Grosso do Sul. Como conhecia o pessoal da Pax Nacional, voltei em Aquidauana com eles que tinha familiares com escritório da empresa aqui, e naquela época já me interessei pelo negócio. Recebi o convite deles e como estava precisando de professor no CEJAR, abracei a ideia. Dormi um ano e meio no chão do escritório e conciliava as aulas com as vendas dos contratos funerários”.
Durante esse período, veio o atraso de salários do Estado e o desentendimento entre os donos do escritório da Pax de Aquidauana, que acabaram decidindo vender o negócio. Como seo José já tinha um dinheirinho guardado e o governo regularizou os salários pagando tudo de uma só vez, ele viu a oportunidade de abrir o próprio negócio, não pensou duas vezes e fechou a compra.
O professor mesmo sendo dono do escritório, passou por dificuldades, pois nos anos 80, vender contratos funerários não era simples, mesmo assim nunca desistiu do segmento. Dona Maria Elizabeth foi casada com seo José e tiveram duas filhas, a Any e a Hevelize, e mesmo hoje não estando mais casados, participou do crescimento do empreendimento e se orgulha pelo patrimônio que ajudou a construir.
“Naquela época as pessoas não viam a importância de garantir serviços póstumos. Foi muita porta na cara, meu ex-marido ia para o Distrito de Taunay vender contrato e dormia em um vagão de trem abandonado, por semanas, já que não tinha onde ficar, mas seguimos firmes”.
E as filhas aprenderam direitinho a lição e hoje estão a frente da Pax Universal. Expandiram o seguimento agregando aos serviços funerários, clínicas com diversas especialidades. E isso é um mérito sim, já que são 35 anos consolidados na região, já que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mesmo tendo muitas empresas administradas por famílias no Brasil, apenas uma a cada três, chega à segunda geração. No caso de Any e Hevelize, são profissionais que cresceram aprendendo com os pais, gostam e entendem do negócio e demonstram através da continuidade que estão dando com a boa administração, que não estão ali só porque o pai quer.
A empresa dessa família cresce junto com a região, empregando profissionais diretos e indiretos, ajudando na economia das cidades onde a Pax Universal criou raízes. E agora está para chegar mais um membro, o José Antônio, netinho primogênito do Seo José Lino e da dona Maria Elizabeth, que se seguir os passos da mãe Any e da tia Hevelize com a visão empreendedora dos avós, a empresa poderá chegar a terceira geração.
Por: Giselli Figueiredo





