Extrato da semente de uva faz restaurações durarem mais

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Terra/JB

Um estudo da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto constatou que o extrato da semente de uva faz restaurações dentárias com resina durarem mais. Isso porque a solução é rica em antioxidantes que aumentam a resistência da dentina, camada externa do dente, o que diminui sua deterioração.

Os pesquisadores usaram 48 dentes humanos saudáveis e os dividiram em quatro grupos que receberam aplicação de substâncias diferentes: clorexidina, doxiciclina (comumente usadas em restaurações), extrato da semente de uva e um grupo não recebeu aplicação.

De acordo com as análises, as amostras que receberam o tratamento com o extrato da semente de uva apresentaram degradação da restauração aproximadamente 80% menor do que as amostras que não foram tratadas. “Ou seja, normalmente, durante o procedimento de restauração dentária, não é utilizado o extrato de semente de uva, e quando este foi empregado a união entre o material restaurador e o dente degradou 80% menos que a restauração feita tradicionalmente”, explica a pesquisadora Ana Beatriz Silva Sousa.

Segundo o estudo, o extrato da semente de uva também foi capaz de inibir algumas enzimas que existem naturalmente no corpo e na boca e que são potencialmente destrutivas, pois degradam a união entre o material restaurador e o dente. “O extrato da semente de uva é um agente antimicrobiano e antioxidante, apresentando pouca toxicidade, características desejadas em um material odontológico”, afirma Beatriz.

O extrato de semente uva difere dos outros materiais utilizados no estudo, por ser um composto natural, de fácil acesso e com ampla disponibilidade no mercado (como suplemento dietético), o que confere o seu potencial uso em vários campos da medicina.

Por enquanto, estão sendo realizados teste laboratoriais, em que estão sendo avaliados alguns parâmetros antes da realização de testes clínicos. Esses estudos giram em torno da concentração do extrato da semente de uva utilizado, tempo de aplicação e melhor forma de introduzir este material no procedimento restaurador odontológico. “Acredito que em poucos anos poderemos ter um material com a inclusão do extrato de semente de uva disponível para uso clínico”, diz a pesquisadora.

Foto: Brandon Bourdages / Shutterstock