Mato Grosso do Sul possui a terceira maior população indígena do país, com cerca de 116,4 mil pessoas. Apesar da importância histórica e cultural desses povos, ainda persistem desigualdades, principalmente no acesso a serviços básicos como água, saúde e educação.
Os dados fazem parte de um levantamento recente do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul, com base em informações do IBGE e da Funai, que traça o perfil da população indígena no Estado.
De acordo com o estudo, 59% dos indígenas vivem em terras indígenas, com maior concentração em cidades como Dourados, Amambai e Aquidauana. Já em Campo Grande, mais de 18 mil indígenas vivem fora desses territórios.
A população é majoritariamente jovem, com destaque para a faixa entre 15 e 29 anos. O índice de envelhecimento nas terras indígenas é de 17,7 — ou seja, cerca de 18 idosos para cada 100 jovens. Fora dessas áreas, esse número sobe para 53,1.
Um dos principais desafios ainda é o acesso à água. Dentro das terras indígenas, apenas 32,6% das residências contam com abastecimento adequado. Fora dessas áreas, o índice melhora, chegando a 67,4%, mas ainda revela desigualdade.
Na educação, os números mostram avanço. Cerca de 82% dos indígenas frequentam o Ensino Fundamental e 88% o Ensino Médio. O acesso ao ensino superior também cresceu, alcançando 89%, mas apenas 2% chegam ao mestrado e 0,1% ao doutorado.
Os dados indicam que a educação tem sido vista como um caminho para melhorar a qualidade de vida. Um exemplo é o indígena Eloy Terena, de Aquidauana, que hoje ocupa o cargo de ministro dos Povos Indígenas.
Apesar dos avanços, a realidade nas aldeias ainda é desafiadora. A falta de infraestrutura básica segue impactando diretamente a qualidade de vida. Neste ano, por exemplo, um surto de chikungunya atingiu comunidades indígenas em Dourados, evidenciando a vulnerabilidade dessas populações.



