O consumo de livros no Brasil registrou um crescimento significativo no último ano, atingindo 18% da população acima de 18 anos. Os dados, revelados nesta quinta-feira (26) pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData, mostram um aumento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa a entrada de 3 milhões de novos consumidores no mercado de obras impressas e digitais.
De acordo com a presidente da CBL, Sevani Matos, o resultado reflete a resiliência do setor e o impacto positivo de políticas públicas, do trabalho de influenciadores literários e de iniciativas de incentivo à leitura. O estudo “Panorama do Consumo de Livros” baseou-se em 16 mil entrevistas realizadas em todo o país.
Perfil do consumidor e o papel das redes sociais
O levantamento traçou um perfil detalhado de quem está comprando livros no Brasil:
Gênero: As mulheres dominam o mercado, representando 61% do total de consumidores.
Recorte Social: O maior grupo consumidor individual do país é formado por mulheres negras da classe C, que compõem 15% do mercado.
Juventude: O crescimento mais expressivo ocorreu na faixa entre 18 e 34 anos, com alta de 3,4 pontos percentuais.
Para a CBL, as comunidades virtuais e os criadores de conteúdo funcionam como a principal porta de entrada para o público jovem, transformando recomendações online em novos hábitos de consumo literário.
Desafios: Preço, acesso e pirataria
Apesar do avanço, a pesquisa identificou barreiras que impedem uma expansão ainda maior. Entre os brasileiros que não compraram livros em 2025:
35% apontaram o alto preço das obras como principal motivo;
28% (cerca de 35 milhões de pessoas) alegaram falta de livrarias ou pontos de venda próximos;
16% admitiram utilizar PDFs ou downloads gratuitos, evidenciando o desafio da pirataria.
Mariana Bueno, coordenadora da Nielsen BookData, interpreta o consumo de cópias ilegais como uma “demanda reprimida”. Segundo a especialista, esse grupo já possui o hábito da leitura, mas o mercado ainda precisa desenvolver estratégias e ações específicas para converter esse público em compradores formais.

