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Polícia Federal deflagra operação contra esquema de contrabando de cigarros avaliado em R$ 76 milhões

A Polícia Federal deflagrou a Operação Rota Clandestina com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na importação e distribuição ilegal de cigarros vindos do Paraguai. A ofensiva cumpriu catorze mandados de busca e apreensão, concentrando treze alvos em Campo Grande e um no município de Santa Luzia, em Minas Gerais. A pedido das autoridades, a Justiça Federal decretou a prisão preventiva de cinco suspeitos, determinou a instalação de cinco tornozeleiras eletrônicas para monitoramento e ordenou o bloqueio de contas bancárias, além do sequestro de bens móveis e imóveis vinculados ao grupo.

O trabalho investigativo teve início após o setor de inteligência da corporação identificar a atuação da quadrilha, o que resultou na interceptação prévia de doze grandes carregamentos que totalizavam milhares de maços de cigarro. O monitoramento financeiro revelou que o esquema movimentou uma cifra superior a setenta e seis milhões de reais. A dinâmica consistia na aquisição dos produtos em solo paraguaio e na introdução clandestina no território nacional. Posteriormente, as mercadorias eram estocadas em depósitos ocultos na capital sul-mato-grossense e enviadas para outros estados da federação.

A logística da organização operava sob uma estrutura hierárquica bem definida e com divisão de tarefas entre os estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Para burlar a fiscalização viária, os criminosos realizavam o transporte fracionado em veículos adaptados e utilizavam transportadoras vinculadas à rede, amparadas por notas fiscais falsificadas para simular a licitude do frete. O dinheiro obtido era lavado por meio de empresas de fachada e movimentações bancárias em contas de pessoas interpostas, os chamados laranjas, cujos valores eram incompatíveis com a renda declarada.

A operação mobilizou uma força-tarefa composta por sessenta e dois policiais federais, dezessete policiais rodoviários federais, além de sete auditores-fiscais e quinze analistas tributários da Receita Federal. Conforme apontaram as apurações, o grupo também mantinha um sistema informal de remessa de divisas para o exterior para efetuar o pagamento dos fornecedores na fronteira, ocultando sistematicamente o patrimônio acumulado em nome de terceiros para evitar o rastreio da justiça.

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