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Fogos reacendem debate sobre fiscalização e conscientização em Aquidauana e Anastácio

A partida da Seleção Brasileira disputada no último sábado foi marcada pela animação dos torcedores em Aquidauana e Anastácio, mas também reacendeu uma discussão que vem ganhando força nos últimos anos: o uso excessivo de fogos de artifício com estampido, apesar da existência de legislações municipais que restringem ou proíbem esse tipo de artefato.

Durante e após o jogo, moradores de diversos bairros relataram a intensa queima de fogos com forte emissão sonora. Em alguns casos, a Polícia Militar chegou a ser acionada por moradores incomodados com o barulho. No entanto, segundo relatos recebidos pela reportagem, a orientação repassada foi de que a corporação possui limitações para realizar a fiscalização imediata e identificar os responsáveis em meio às comemorações espalhadas por diferentes pontos das cidades.

A situação gerou reclamações principalmente de famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, pessoas acamadas e tutores de animais domésticos, grupos que costumam sofrer impactos significativos com os estampidos.

Especialistas apontam que pessoas com hipersensibilidade auditiva podem apresentar crises de ansiedade, medo, desorientação e até alterações comportamentais diante de ruídos intensos e inesperados. O mesmo ocorre com muitos animais, que frequentemente demonstram sinais de estresse, pânico e tentativas de fuga durante a queima de fogos.

Embora existam leis municipais que buscam reduzir ou proibir a utilização de fogos com estampido, a aplicação prática dessas normas ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados à fiscalização, identificação dos infratores e conscientização da população.

Para representantes de entidades ligadas à causa autista e à proteção animal, mais do que a punição, é necessário fortalecer campanhas educativas que incentivem o uso de fogos silenciosos, capazes de proporcionar o efeito visual das comemorações sem causar sofrimento a pessoas e animais.

A discussão ganha ainda mais relevância em períodos de eventos esportivos, festas de fim de ano e celebrações populares, quando o uso de fogos costuma aumentar significativamente.

Diante da dificuldade de fiscalização em situações pontuais e de curta duração, especialistas e lideranças comunitárias defendem que a principal mudança precisa partir da conscientização coletiva. A celebração de vitórias esportivas, datas comemorativas e eventos festivos pode acontecer de forma responsável, respeitando aqueles que, por questões de saúde, idade ou condição neurológica, sofrem com os efeitos do barulho excessivo.

Afinal, comemorar é um direito de todos, mas garantir o bem-estar e a tranquilidade da comunidade também é uma responsabilidade compartilhada.

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