A consolidação da Rota Bioceânica deve transformar Mato Grosso do Sul em um dos principais corredores logísticos da América do Sul e pode gerar impactos diretos para municípios estratégicos da região pantaneira, como Aquidauana e Anastácio.
O projeto prevê a integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma ligação terrestre entre o Oceano Atlântico e os portos chilenos de Antofagasta e Iquique, reduzindo distâncias, custos logísticos e tempo de transporte de mercadorias destinadas aos mercados sul-americanos e asiáticos.
Segundo informações apresentadas pelo diplomata João Carlos Parkinson, a tendência é que parte significativa das cargas atualmente transportadas pelos corredores da região Sul do Brasil passe a utilizar Mato Grosso do Sul como rota principal.
Com isso, cidades localizadas ao longo dos acessos estratégicos da rota, como Aquidauana e Anastácio, podem ganhar importância logística, econômica e turística nos próximos anos, principalmente devido à ligação com Porto Murtinho, município considerado porta de entrada brasileira da Bioceânica.
A expectativa é que o corredor internacional reduza em até dois ou três dias o tempo de deslocamento de cargas vindas das regiões Norte e Nordeste do país em direção à Argentina, Paraguai e Chile. Além disso, estudos apontam possibilidade de redução de até 40% nos custos logísticos e até 15 dias no transporte internacional em comparação às rotas marítimas tradicionais.
O fortalecimento da rota também pode ampliar o fluxo de caminhões, turistas e investimentos em infraestrutura em cidades do interior sul-mato-grossense. Em Aquidauana e Anastácio, setores ligados ao comércio, hotelaria, transporte, combustíveis e prestação de serviços acompanham com expectativa o avanço do corredor bioceânico.
Nos últimos anos, a região já vem registrando crescimento nas discussões sobre turismo, logística e integração internacional, impulsionadas pela proximidade com a Estrada Parque e pelos investimentos em infraestrutura no Estado.
Atualmente, grande parte das exportações brasileiras realizadas por via terrestre utiliza corredores logísticos do Sul do país, especialmente por cidades como São Borja e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. A proposta da Bioceânica é justamente descentralizar esse fluxo e criar um caminho mais curto e competitivo através de Mato Grosso do Sul.
Apesar do avanço das obras e da construção da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, especialistas destacam que ainda serão necessários acordos aduaneiros e ajustes regulatórios entre os países envolvidos para viabilizar plenamente o funcionamento do corredor internacional.


