A morte da subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, registrada nesta segunda-feira (6), em Campo Grande, está sendo investigada como possível feminicídio e gerou forte comoção. O principal suspeito do crime, companheiro da vítima, foi preso após apresentar versões contraditórias sobre o ocorrido, levantando dúvidas sobre a dinâmica dos fatos.
De acordo com as informações apuradas no local, o homem afirmou inicialmente que a subtenente teria tentado tirar a própria vida com um revólver da corporação e que, ao tentar impedir, acabou ocorrendo o disparo. No entanto, a versão passou a ser questionada após relatos de testemunhas e inconsistências no depoimento. Em outro momento, ele alegou que a arma estava no chão, o que reforçou as contradições.
Uma vizinha, ao perceber a situação, pulou o muro da residência e acionou um policial à paisana, que teria encontrado o suspeito ainda com a arma em mãos. Diante das divergências, o homem foi conduzido algemado à delegacia, sob forte comoção popular, com moradores gritando palavras de revolta durante a prisão.
Segundo a polícia, o suspeito possui antecedentes por roubo, homicídio e violência doméstica. O casal mantinha relacionamento há cerca de um ano e meio e vivia na residência da vítima havia aproximadamente um ano e quatro meses. Apesar disso, não havia registros oficiais de ocorrências anteriores envolvendo os dois.
Vizinhos relataram que as discussões eram frequentes e que o comportamento do homem vinha se tornando cada vez mais agressivo. Há relatos de episódios recentes de descontrole, incluindo agressividade e danos ao imóvel. Também foi mencionado que, após o início do relacionamento, a subtenente teria se afastado do convívio com amigas.
Marlene ingressou na Polícia Militar na década de 1990 e fez parte de uma das primeiras turmas femininas da corporação no Estado, sendo descrita por vizinhos como uma pessoa discreta e muito querida na comunidade.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul lamentou profundamente a morte da subtenente e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda. A corporação destacou ainda a necessidade de cautela na divulgação de informações, uma vez que as circunstâncias do caso seguem sob investigação da Polícia Civil.
Caso seja confirmado como feminicídio, este poderá ser o primeiro registro do tipo em Campo Grande em 2026 e o nono em todo o Mato Grosso do Sul neste ano, reforçando o alerta para o avanço da violência contra a mulher no Estado.
Padrão de crime chama atenção
O caso da subtenente Marlene de Brito Rodrigues evidencia um padrão preocupante que vem se repetindo em Mato Grosso do Sul: a tentativa de autores de feminicídio de simular suicídio das vítimas para tentar despistar as investigações. Este já é o terceiro registro no Estado, apenas neste ano, em que a versão inicial apresentada pelo suspeito aponta para um suposto autoextermínio, mas acaba sendo contestada ao longo das apurações.
Situação semelhante foi registrada há cerca de um mês, em Anastácio, quando Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta dentro da própria residência. Na ocasião, o marido alegou que a vítima teria tirado a própria vida em razão de um quadro de depressão. No entanto, diante do avanço das investigações, ele acabou confessando o crime no dia seguinte, admitindo que a matou por asfixia.
Outro caso que segue sob investigação é o da jovem Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, em Campo Grande. Inicialmente, o namorado afirmou que ela teria passado mal após ingerir substância ilícita. No entanto, familiares e testemunhas relataram um histórico de violência doméstica, ameaças e agressões, o que levanta a suspeita de feminicídio e reforça a linha de investigação da polícia.
Os três episódios, com características semelhantes, reforçam o alerta das autoridades para a complexidade desses crimes e a necessidade de uma investigação criteriosa, especialmente quando há tentativa de manipulação da cena ou da narrativa dos fatos por parte dos suspeitos.



