Por Daniela Lacerda
Fotos: Warren Nabuco
Protesto fechou a saída para Três Lagoas por cerca de 1 hora, causando um congestionamento de quase dois quilômetros.
A BR- 262, saída para Três Lagoas, ficou interditada por aproximadamente uma hora, na manhã desta sexta-feira (8), pelo Movimento das Ligas Camponesas, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Segundo os organizadores, cerca de 200 pessoas, de sete acampamentos participaram do bloqueio.
A ação foi um protesto contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) essa semana, de paralisar a seleção e assentamento de novos beneficiários da reforma agrária no país. Segundo o tribunal, há indícios de irregularidades nos processos de 578 mil beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária.
“Se existem irregularidades investiguem, mas não pode paralisar a reforma agrária no Brasil, que já está atrasada há muito anos. Nós queremos um audiência com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), e o TCU para que ele nos esclareçam essa decisão! Disse o dirigente Nacional da Liga Camponesa, Adonis Marcos (32).
O bloqueio da BR – 262 causou um congestionamento de mais de um quilômetro e meio e irritou principalmente os caminhoneiros, que precisavam seguir viagem. “Estamos parados aqui há quase uma hora, vim deixar uma carga e estou retornado para Aparecida do Taboado. Não concordo com o bloqueio, acaba prejudicando e atrasando muito a gente”, disse o caminhoneiro Lucas de Almeida (24).
Os organizadores do bloqueio anunciaram que o protesto hoje foi só uma prévia do que irá acontecer na segunda-feira (11), quando o MST pretende fechar as saídas de oito estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná, Tocantins, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. “Hoje foi um aviso, na segunda vamos fechar todas as entradas e saídas de Campo Grande e outros estados. Se paralisar a reforma agrária, vamos paralisar o Brasil, nós queremos terra, o TCU quer guerra”! Frisou.
De acordo com o dirigente do movimento, o bloqueio de hoje, também era um ato de solidariedade aos trabalhadores mortos nesta quinta-feira (7), em um confronto entre o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e policiais militares ambientais em um acampamento em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, que deixou duas pessoas mortas.
“Como explicar que num confronto entre trabalhadores, pistoleiros e polícia, somente os trabalhadores foram atingidos por balas! Para nós foi uma emboscada o que ocorreu lá”, completa.
Além de bloquear estradas, segundo o dirigente o MST está programando a invasão de diversas propriedades rurais consideradas improdutivas. “Só aqui no MS, temos mais de 300 propriedades nesse perfil”! Pontuou ele que critica a lentidão do processo e o montante de recursos disponibilizados para reforma agrária no país.
“O Movimento dos trabalhadores Sem Teto, conseguiram mais de R$ 1 bilhão para compra de moradias em São Paulo. Já para reforma agrária foram disponibilizados somente R$ 400 milhões para todo o país, não é justo”, finalizou.


