O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Laudelino Ferreira Vieira, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa buscava a transferência do detento da Penitenciária Federal de Porto Velho (RO) para o sistema prisional de Mato Grosso do Sul.
Laudelino cumpre pena que soma 95 anos, 3 meses e 4 dias de prisão. No pedido, os advogados alegaram que o prazo de permanência dele no sistema penitenciário federal já teria expirado, tornando sua continuidade na unidade prisional irregular.
Entretanto, a solicitação foi rejeitada pelo ministro Luis Felipe Salomão, vice-presidente do STJ no exercício da Presidência. Na decisão, o magistrado destacou que o pedido não poderia ser analisado pela Corte, já que o Tribunal de origem ainda não julgou o mérito da ação.
Histórico de fugas
Conforme consta nos autos, Laudelino fugiu do sistema prisional de Mato Grosso do Sul em 2021 e permaneceu foragido até ser capturado, em 2023, na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
O detento também é citado por participação na tentativa de fuga registrada em 2012 no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, além do motim ocorrido em 2014 na Penitenciária Estadual de Dourados (PED).
Após sua recaptura, em razão da suspeita de um plano de resgate, ele foi transferido de Corumbá para Campo Grande por via aérea, devido aos riscos de um deslocamento terrestre.
Roubo de aeronaves em Aquidauana
Laudelino é apontado como um dos responsáveis pela organização criminosa envolvida no roubo de três aeronaves ocorrido em 2021, em um aeroclube de Aquidauana.
Na ação, cerca de 18 criminosos invadiram o hangar durante a madrugada, renderam o vigia e seus dois filhos e os amarraram com lacres próximos ao tanque de combustível enquanto abasteciam os aviões. Em seguida, fugiram levando as três aeronaves.
Os suspeitos estavam encapuzados, fortemente armados e usando luvas. Segundo as investigações, parte do grupo falava espanhol, embora também houvesse brasileiros entre os envolvidos. A invasão ocorreu pelos fundos do aeroclube, na região da Vila 40, e algumas ferramentas utilizadas pelos criminosos foram abandonadas durante a fuga.
As investigações apontaram que as aeronaves seriam utilizadas pelo tráfico internacional de drogas, com destino à Bolívia. Após o crime, a Força Aérea Brasileira (FAB) emitiu um alerta nacional para auxiliar na localização dos aviões roubados.


